Veja como foi a coletiva de Roger Machado, após jogo contra o Flu e antes da demissão

“A gente não teve eficiência suficiente para colocar dentro da rede. É a síntese do jogo”, disse o técnico, horas antes de ser demitido

Por GloboEsporte.com, São Paulo

Decepcionado e frustrado. Foi assim que o técnico Roger Machado avaliou a derrota do Palmeiras contra o Fluminense por 1 a 0, na noite desta quarta-feira, no Maracanã, horas antes de ser demitido.

Em entrevista coletiva após a partida, o agora ex-comandante do Verdão lamentou as chances desperdiçadas pela equipe, principalmente na primeira etapa quando a partida ainda estava com o placar zerado.

No início do jogo, Dudu teve grande chance de abrir o placar, após contra-ataque liderado por Willian. Minutos depois, mais um bom cruzamento de Willian encontrou Moisés em boa posição para cabecear. Nas duas jogadas, Julio Cesar salvou o time carioca com boas defesas.

Melhores momentos: Fluminense 1 x 0 Palmeiras pela 15ª rodada do Brasileirão

Melhores momentos: Fluminense 1 x 0 Palmeiras pela 15ª rodada do Brasileirão

– As maiores chances que criamos foram no primeiro tempo. No segundo tempo foi um jogo fisicamente bastante disputado, de poucas alternativas. A frustração é de ter criado bastante no primeiro tempo e não ter conseguido fazer o gol. A gente se decepciona e sai frustrado de um jogo que poderia ter uma história diferente, baseado no primeiro tempo – disse o técnico.

A derrota no Rio de Janeiro interrompeu uma sequência palmeirense de seis jogos sem derrota no Brasileirão. Os 23 pontos conquistatos, porém, mantêm o Verdão longe das primeiras colocações do torneio. A oscilação da equipe também foi assunto na entrevista do treinador.

Roger Machado, durante a partida do Maracanã (Foto: André Durão) Roger Machado, durante a partida do Maracanã (Foto: André Durão)

Roger Machado, durante a partida do Maracanã (Foto: André Durão)

– É a característica do Campeonato Brasileiro. Falta pouco para a gente encontrar esse equilíbrio, mas a gente está deixando passar. O campeonato já vai quase para a metade. A chance de se aproximar dos líderes acontece a cada rodada, tem de estar pronto para atuar. Diferente do jogo contra o Atlético e do anterior, quando cedemos o empate, hoje não tivemos forças, principalmente no segundo tempo, para buscar o empate. Com a criação e as oportunidades do primeiro tempo, a gente não teve eficiência suficiente para colocar dentro da rede. Essa é a síntese do jogo – avaliou, horas antes de ser demitido.

Na próxima rodada, o Palmeiras volta a campo para enfrentar o Paraná, no domingo, às 11h, na arena alviverde. Wesley Carvalho, técnico do time sub-20, assumirá o Palmeiras de forma interina.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Roger Machado, após o jogo contra o Fluminense e horas antes da demissão:

Atuação de Gustavo Scarpa
– Eu não vi o Scarpa abaixo e que pudesse atribuir isso ao fato dele estar sendo vaiado a cada momento que tocava na bola. Scarpa, mesmo jovem, é um jogador experiente, consegue lidar bem com essas situações, assim como o Lucas também teve de lidar quando a gente jogou contra o Santos. Os lances que por ventura tomou uma decisão errada foi equívoco do jogo. No primeiro tempo rendeu bem, no segundo tempo todos tiveram nível mais abaixo.

Lesão de Marcos Rocha
– Sentiu alguma coisa no posterior da perna, vai ser reavaliado. Não deu para seguir no jogo. Mayke, que é o reserva imediato, entrou bem, conseguiu fazer a mesma dinâmica, que foi as invertidas de bola. Vai ser reavaliado, vamos ver quanto tempo que ele vai ficar fora do time.

Felipe Melo e os cartões
– Sempre há necessidade de conversar. O fato é que o jogo do Felipe é um jogo de intensidade. A gente não pode tirar a característica principal, a virtude do jogador, é de contenção e faz bem seu papel à frente da área. É claro que é sempre importante, esses últimos dois (cartões) foram no início do jogo. Faz com que o jogador tenha de se retrair um pouco na sua abordagem. A troca no segundo tempo foi em função em parte disso, de o Fluminense jogar em contra-ataque, e o jogador do meio-campo ficar mais exposto e correr o risco de perde um jogador muito cedo. Claro que a gente conversa, o campeonato é dura, os critérios de arbitragem por vezes se altera. Não sei se valeria naquele momento um cartão amarelo, no início do jogo.

Posicionamento de Moisés
– O fato de tocar mais na bola não significa que o jogador está participando mais do jogo. Como meia, o Moisés fez um papel importante no primeiro tempo, buscando as costas da defesa ou se projetando na amplitude para pegar a bola e fazer a gente progredir. No segundo tempo, naturalmente por jogar mais atrasado, e o Fluminense permitir que a gente pegasse na bola, o atleta vai tocar na bola. Função que ele se sente à vontade para fazer.

Cobranças
– Não acabou em vaia porque a gente venceu (contra o Atlético-MG). Torcedor é passional. Respondo desde o começo do ano sobre a pressão de dirigir o Palmeiras. Não há nenhum problema sobre pressão, faz parte. A gente lida da melhor forma possível, sempre tentando fazer o melhor. Algumas vezes, quando você não consegue, a responsabilidade é toda do comando. Quando a gente vence se divide a responsabilidade por quem faz o gol, por quem participa da jogada, e eu também pego um pedacinho dela. Mas quando perde a liderança é sempre responsável, faz parte do futebol. Lida-se com tranquilidade, entendendo que o torcedor gosta de vencer, e quando não há vitória ele vai questionar. Um ponto do questionamento é sempre o comando, não tem problema nenhum.

Desfalques de Edu Dracena e Felipe Melo no domingo
– É o Campeonato Brasileiro. Os times, em alguns momentos, adotam postura de velocidade, com jogadores rápidos e por vezes os defensores precisam intervir mais fora da área, como foi o caso hoje. É uma jogada de jogo, a questão dos cartão… Os cartões fazem parte do jogo.