Presos três suspeitos de enviar de Goiás para o Nordeste cargas milionárias de drogas e armas

Por Vanessa Martins, G1 GO

Presos em Senador Canedo suspeitos de fazer parte de organização criminosa que vendia armas pesadas e drogas — Foto: Terciane Fernandes/TV Anhanguera

As Polícias Civis de Goiás e do Sergipe prenderam três homens suspeitos de fazer parte de uma organização criminosa que vendia cargas milionárias de armas e drogas para estados do Nordeste do país. Eles foram detidos nesta segunda-feira (15) em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia.

Segundo a Polícia Civil de Goiás, dois dos presos são os irmãos Aduilson Góis Oliveira, conhecido como “Galego”, e Ademir Góis Oliveira, também chamado de “Demir” ou “Galeguinho”. Eles são apontados pelas investigações como os líderes da organização criminosa.

O terceiro preso, também segundo os investigadores, é Lucivaldo Fernandes da Silva, apontado pelos policiais como o responsável pela logística do grupo.

O G1 não conseguiu descobrir, até a publicação desta reportagem, quem representa os presos para pedir um posicionamento sobre o caso.

O delegado Osvaldo Rezende disse que os presos são considerados de alta periculosidade e devem ser enviados para cumprir pena no Sergipe.

“São criminosos bastante conhecidos no nosso estado. Eles fomentam o trafico de drogas, roubo a banco, homicídios, diversos crimes. Montaram uma base aqui no estado de Goiás de onde mandavam toneladas de drogas e armamento de grosso calibre”, explicou.

Ainda de acordo com as investigações, Goiás foi escolhido por ser considerado um ponto estratégico para a distribuição de drogas, que vinham do Mato Grosso do Sul.

Roubos, homicídios e tráfico

De acordo com a corporação, o preso conhecido como Galego chegou a ser condenado a 22 anos de prisão após a Operação Valquíria, que condenou ele e outras 22 pessoas por roubos, homicídios e tráfico de drogas.

No entanto, conforme a Polícia Civil, o preso conseguiu uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) e saiu da cadeia em 7 de fevereiro deste ano. As investigações mostraram que ele saiu do Sergipe e se mudou para Goiás, onde encontrou o irmão e, juntos, começaram a remontar a organização.

Também de acordo com a Polícia Civil, Galego é suspeito de 13 homicídios, sendo que três deles teriam ocorrido dentro do Presídio de Santa Maria em abril de 2018.

Segundo a Polícia Civil, o grupo fornecia armas pesadas e drogas para outros grupos criminosos. Há registros de assaltantes de bancos que eram clientes da organização e foram presos com metralhadora antiaérea .50, fuzil calibre .556, duas pistolas calibre .380, um revólver calibre 38 e um equipamento bloqueador de sinal GPS.

Operação Valquíria

A operação que mirou o grupo pela primeira vez ocorreu no Sergipe. As investigações começaram em setembro de 2012, após o assassinato de duas pessoas no município de Carira.

Chamada de Valquíria, a ação resultou na prisão de 32 pessoas, sendo seis mulheres. Na época, foram apreendidos com o grupo sete armas de fogo, R$ 150 mil, motos e carros de luxo avaliados em mais de R$ 1,2 milhão, 36 kg de maconha, 5 kg de cocaína e 67 kg de crack. Outros três homens morreram em confronto com a polícia ao tentarem resistir à prisão.

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