Polícia conclui inquérito sobre a morte do estudante baleado em festa da UFG, em Goiânia

Suspeito preso pelo crime foi indiciado por homicídio doloso, enquanto outro investigado responde por posse de arma. Defesa alega que ainda é preciso fazer novas perícias.

Por Vanessa Martins, G1 GO

Ariel Ben Hur Costa Vaz morreu baleado em festa na UFG, em Goiânia (Foto: Reprodução/Facebook) Ariel Ben Hur Costa Vaz morreu baleado em festa na UFG, em Goiânia (Foto: Reprodução/Facebook)

Ariel Ben Hur Costa Vaz morreu baleado em festa na UFG, em Goiânia (Foto: Reprodução/Facebook)

A Polícia Civil indiciou, nesta terça-feira (26), Danillo da Cruz Queiroz, de 23 anos, pela morte do estudante Ariel Ben Hur Costa Vaz, de 32 anos, e tentativa de assassinato de outro rapaz, ambos em festa na Universidade Federal de Goiás (UFG). Já outro suspeito do crime, Jeferson Geovane Lopes, de 22, foi indiciado por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, que teria sido usada no crime.

O delegado responsável pelo caso, Marco Aurélio Euzébio Ferreira, informou que Danillo foi indiciado por homicídio doloso, tentativa de homicídio, já que outro rapaz foi baleado, e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, que teria sido usado no crime. “Se for condenado por todos os crimes, ele pode ficar preso por mais de 40 anos. Ele segue detido mesmo após audiência de custódia”, disse ao G1.

Já Jeferson, foi indiciado por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, já que teria escondido a arma usada no crime. Ferreira destacou que o inquérito foi concluído, mas ainda deve ser enviado ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

O advogado Gutierry Henrique de Oliveira, que representa os dois indiciados, afirmou que entende que não foi comprovado que os disparos que atingiram as vítimas saíram da arma usada por Danillo. Além disso, o defensor afirma que pediu novas perícias.

“As investigações precisam prosseguir, já que não temos a balística ainda. Além disso, não se trata de homicídio doloso, porque ele não teve a intenção de matar a vítim, houve um disparo acidental”, disse ao G1.

Já sobre Jeferson, Oliveira refuta que a arma usada no crime estivesse em posse dele. “Não está provado que ele estava coma a arma. Ela foi achada no terreno da família dele, não estava com ele”, completou.

Presa dupla suspeita de envolvimento na morte de estudante em festa na UFG (Foto: Vitor Santana/G1) Presa dupla suspeita de envolvimento na morte de estudante em festa na UFG (Foto: Vitor Santana/G1)

Presa dupla suspeita de envolvimento na morte de estudante em festa na UFG (Foto: Vitor Santana/G1)

A dupla foi presa dias após o crime. Ao ser apresentado, Jeferson preferiu ficar em silêncio. Porém, Danillo alegou que o tiro foi acidental e que morte foi uma “fatalidade”. “Eu fui pra defender um amigo e dei uma coronhada com a arma em um cara, quando eu dei a segunda coronhada, ela disparou, mas foi só uma vez”, afirmou.

Porém, o delegado não acredita nessa versão. Segundo ele, testemunhas contaram que Danillo atirou a esmo e acertou as duas vítimas. Ainda segundo o investigador, estudante e indiciado não se conheciam.

Crime

O estudante foi morto durante uma festa dentro da UFG, no último dia 15 de setembro, no gramado entre o Centro de Convivência da UFG e a Faculdade de Artes Visuais (FAV), no Setor Itatiaia. A confusão teria acontecido após um esbarrão na saída do banheiro do evento. Um jovem que trabalhava no caixa foi baleado e socorrido.

A assessoria de imprensa do Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) informou ao G1 que não está autorizada a passar informações sobre o estado de saúde do paciente.

O evento foi organizado pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) com a autorização da UFG. Em nota à TV Anhanguera, o diretório afirmou que a festa “contava com o apoio de duas empresas de segurança privada: uma que presta serviços para a própria UFG e é responsável pela segurança geral do campus e outra contratada especificamente para o evento”.

Após o crime, a universidade proibiu a realização de qualquer festa em seus campi até que sejam definidas “normas para a realização destes eventos”. A decisão, informada em nota no último dia 18 de setembro.

O Ministério Público Federal (MPF) apura a segurança em eventos no campus da UFG e já requisitou informações sobre medidas tomadas pela universidade após o incidente.

Luto

O irmão de Ariel, o técnico em construção civil, Tiago Ben Hur, de 30 anos, contou que a família ficou muito abalada com a morte do estudante. Segundo ele, os pais chegaram a passar mal ao saberem da morte do filho.

O corpo dele foi velado e enterrado no cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia.

Familiares, amigos e colegas de Ariel fizeram uma homenagem ao estudante durante um culto ecumênico no auditório do Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa), na UFG. Eles fizeram orações e reforçaram que a universidade tem um caráter público e que não pode haver espaço para a violência e medo.

“Estamos perplexos com a violência desmedida, mas a universidade foi e continuará sendo espaço de todos na construção da cidadania e um assassinato brutal como esse é tudo o que nós não queremos ver aqui”, disse o reitor da UFG Orlando Afonso Valle do Amaral.

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