MPF pede alienação antecipada de 2 imóveis comprados por Cachoeira

Carlos Cachoeira (Foto: Reprodução Globo News)MPF pede que dois apartamentos de Carlos Cachoeira seja alienados (Foto: Reprodução Globo News)

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) pedindo que dois apartamentos do contraventor Carlos Augusto Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, sejam alienados, ou seja, transferidos provisoriamente para a União. Conforme a ação, a medida procura garantir que os bens estejam disponíveis, caso ele seja condenado nos processos a que responde por exploração de jogos de azar e corrupção.

Os imóveis que podem ser transferidos são um apartamento de 95 m² no Comfort Suítes Flamboyant, em Goiânia, e outro no Edifício Residencial Santorin, em Anápolis, a 55 km da capital. Conforme o MPF, o primeiro pedido para a alienação desses bens foi negado pela 11ª Vara Federal em Goiás, por isso o órgão entrou com recurso em segunda instância.

Segundo o MPF, se os apartamentos forem transferidos provisoriamente para a União, eles ficam à disposição da Justiça e têm a integridade preservada. Além disso, a medida garante que os bens não serão vendidos ou usados pelo réu.

Ainda conforme o órgão, o apartamento localizado em Goiânia estava no nome da ex-esposa de Carlinhos Cachoeira, Andréa Aprígio de Souza. Segundo o MPF, os imóveis foram comprados com dinheiro adquirido de forma ilícita, descobertas por meio da Operação Monte Carlo.

Procurada pelo G1, a defesa de Cachoeira afirmou, por telefone, que não foi informada acerca desse recurso, mas assim que tomar ciência vai responder ao MPF.

Bens de Carlos Cachoeira, no valor de R$ 1,6 milhão, já haviam sido bloqueados em ação por improbidade administrativa.

Operação Monte Carlo
A Operação Monte Carlo foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) em 29 de fevereiro de 2012. Ela trouxe à tona gravações telefônicas que derrubaram o então senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), abasteceram duas CPIs, uma no Congresso e outra na Assembleia Legislativa de Goiás, e causaram mudanças nos comandos da Segurança Pública goiana.

Carlinhos Cachoeira foi preso no dia em que a Operação Monte Carlo foi deflagrada, acusado de chefiar o esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção em Goiás e no Distrito Federal. Ele ganhou liberdade em 11 de dezembro de 2012.

No dia 30 de junho de 2016, Cachoeira foi novamente preso, no condomínio de luxo onde mora, em Goiânia, durante a Operação Saqueador, deflagrada pela Polícia Federal. A ação teve como objetivo prender pessoas envolvidas em um esquema de lavagem de R$ 370 milhões desviados dos cofres públicos. Ele foi solto no dia 17 de agosto do ano passado, para cumprir pena em casa, na capital goiana.

Desde o início da Operação Monte Carlo, Cachoeira já foi condenado pelos crimes de peculato, corrupção, violação de sigilo, violação de sigilo funcional e formação de quadrilha.

A condenação mais recente foi por contrabando de máquinas de caça-níqueis, no dia 10 de março deste ano, com pena de seis anos e três meses de prisão. De acordo com o procurador da República, Rafael Parreira, foi a terceira condenação de Cachoeira no âmbito da Operação Monte Carlo, e ainda cabe recurso. Ele responde aos crimes em liberdade.

Operação Saint Michel
O nome de Carlinhos Cachoeira também apareceu na Operação Saint Michel, deflagrada em 25 de abril de 2012. A Saint Michel foi um desdobramento da Operação Monte Carlo, que apurou o envolvimento de agentes públicos e empresários em uma quadrilha que explorava o jogo ilegal e tráfico de influência em Goiás. Na ação, o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu foi preso.