João de Deus tem novo pedido de prisão domiciliar negado e aguarda transferência de hospital

Por Rodrigo Gonçalves, G1 GO

João de Deus está em unidade de saúde de Aparecida de Goiânia — Foto: Renata Costa/TV Anhanguera

O Tribunal de Justiça de Goiás negou nesta terça-feira (1º) mais um pedido para que João de Deus seja colocado em prisão domiciliar. O habeas corpus foi avaliado pelo desembargador Nicomedes Domingos Borges.

Acusado de cometer crimes sexuais, João de Deus, de 78 anos, segue internado no Hospital Municipal de Aparecia de Goiânia (HMAP) sob custódia após sentir dores no peito no Complexo Prisional, na última sexta-feira (27). Na segunda-feira, segundo a assessoria da unidade, ele passou por avaliação com médico cardiologista.

No parecer emitido, o profissional recomenda “a transferência do paciente para unidade referência em cardiovascular (pública ou privada) onde ele poderá realizar exames mais detalhados”. Até as 15h desta terça-feira, a transferência, de acordo com o HMAP, ainda não tinha ocorrido.

O G1 entrou em contato nesta tarde, por ligação e mensagem de celular, com a defesa de João de Deus e aguarda retorno sobre o HC negado e a transferência.

João de Deus está preso desde dezembro do ano passado acusado de abusos sexuais, falsidade ideológica, posse ilegal de arma de fogo e corrupção de testemunhas. Ele sempre negou os crimes.

Pedido negado

Segundo a assessoria do TJ, no pedido avaliado nesta terça-feira, a defesa requeria que João de Deus pudesse ser colocado em prisão domiciliar para ser acompanhado pelo serviço home care.

Ainda de acordo com o TJ, o pedido foi feito em um processo referente a abusos sexuais, no qual a defesa alegava que o prazo para conclusão já se excedeu. No entanto, o desembargador rebateu dizendo que a ação já foi concluída em instrução processual.

A assessoria do Tribunal de Justiça informou também que a defesa de João Deus alegou problemas de saúde do cliente, entretanto, a Justiça entendeu que estes não foram comprovados.

João de Deus chega a hospital para fazer exames, em Aparecida de Goiânia — Foto: Renata Costa/TV Anhanguera

João de Deus chega a hospital para fazer exames, em Aparecida de Goiânia — Foto: Renata Costa/TV Anhanguera

Internação

João de Deus segue internado na enfermaria, em observação, até a realização da transferência, segundo informou a assessoria do HMAP. Ele faz tratamento contra anemia.

No parecer emitido por um cardiologista, o profissional recomenda a transferência para a realização de exames mais detalhados “que permitirão uma melhor avaliação da doença coronária e do cenário de angina instável apresentada nos últimos dias”.

Ainda segundo a assessoria do hospital, a vaga para a transferência poder sair da regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) ou caberá à defesa de João de Deus indicar um local para a internação.

Prisão

João de Deus está preso desde 16 dezembro de 2018. Ele sempre negou que tivesse abusado sexualmente de mulheres e adolescentes que o procuravam na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, para atendimentos espirituais.

Em março, João de Deus foi levado para um hospital de Goiânia. Ele ficou mais de dois meses internado com um aneurisma no abdômen. Por determinação da Justiça, voltou ao presídio em 6 de junho, onde estava desde então.

Desde a prisão, a defesa dele tenta que o cliente seja transferido para a prisão domiciliar. Porém, nenhum pedido foi aceito pelo Judiciário.

No fim de agosto, João de Deus deixou duas vezes o presídio para realização de exames médicos. Em nenhuma delas, foi necessário que ele ficasse internado.

João de Deus volta para presídio de Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

João de Deus volta para presídio de Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

  • Cinco por crimes sexuais: algumas delas já com audiências judiciais realizadas.
  • Uma por crimes sexuais, corrupção de testemunha e coação: ainda não teve audiência;
  • Uma por crimes sexuais e falsidade ideológica: em fase de citação (comunicação ao réu);
  • Duas por posse ilegal de armas de fogo e munição: já tiveram audiências realizadas