GDF lança campanha para incentivar doação de órgãos, mas transplantados têm dificuldades no atendimento

Por Brenda Ortiz e Clara Franco, G1 DF e TV Globo

Secretaria de Saúde do DF lança campanha Setembro Verde — Foto: G1 DF

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal lançou, nesta segunda-feira (9), a campanha Setembro Verde, para incentivar a doação de órgãos. Pacientes do DF que fizeram transplantes em outros estados, no entanto, têm encontrado dificuldades para conseguir acompanhamento médico adequado.

Desde o dia 4 de setembro, o governo local suspendeu a emissão de passagens aéreas para 425 moradores do DF que passaram por transplantes em outras unidades da federação.

O direito é garantido por portaria do Ministério da Saúde, para que os pacientes possam continuar o tratamento com a equipe responsável pela cirurgia. Sem as passagens, no entanto, transplantados temem prejuízos à terapia.

Segundo o Governo do DF, o motivo para a suspensão foi o fim do contrato com a agência que emitia as passagens. O Executivo afirma que, em um mês, o serviço estará normalizado.

Pacientes relatam medo

“Meu maior medo hoje é meu filho perder o rim dele, que eu doei há 10 anos”, conta a dona de casa Edmeia Costa.

O filho dela, de 15 anos, fez o transplante em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Assim como os outros beneficiários do programa, a cirurgia foi realizada na cidade porque não poderia ser feita no DF.

A dona de casa Edmeia Costa — Foto: Reprodução/TV Globo

A dona de casa Edmeia Costa — Foto: Reprodução/TV Globo

A cada dois meses, o adolescente precisa ir à capital gaúcha para fazer acompanhamento e pegar remédios. A próxima consulta está marcada para daqui a duas semanas, mas, sem as passagens do GDF, a família não sabe o que fazer.

Por conta do mesmo problema, em 2017, a filha da artesã Vanusa Gomes perdeu o rim transplantado três anos antes.

“Entra ano, sai ano, e a conversa é sempre a mesma. A gente fica refém dessa situação, porque a gente não tem como bancar uma viagem aérea com os meninos a cada dois meses”, conta.

A artesã Vanusa Gomes — Foto: Reprodução/TV Globo

A artesã Vanusa Gomes — Foto: Reprodução/TV Globo

Além da emissão das passagens aéreas, o GDF oferece viagens de ônibus. O serviço está em funcionamento, mas para conseguir a passagem, o paciente precisa de permissão médica para viajar por terra.

Existe ainda a opção de o transplantado comprar a passagem e ser reembolsado pelo GDF. Segundo o Executivo local, o tempo médio de reembolso é de 40 dias, mas nem sempre esse prazo é praticado.

No caso da estudante Jéssica Maneri, por exemplo, que teve de comprar uma passagem às pressas para ir a São Paulo e não perder uma consulta, a espera durou cerca de 180 dias.

“Eles demoraram quase seis meses para fazer o reembolso. E quando não pode fazer a compra né? Como faz? Sendo que é um direito que a gente tem”, afirma.

O que diz a Secretaria de Saúde

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, “o contrato para transporte terrestre de pacientes que farão tratamento fora do Distrito Federal está vigente. Já o contrato para transporte aéreo está em fase final de contratação”.

Secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto — Foto: TV Globo/Reprodução

Secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto — Foto: TV Globo/Reprodução

Ainda de acordo com a pasta, no caso dos pacientes referidos, ambos têm pedido para transporte aéreo, e por isso não podem receber a passagem de ônibus.

Segundo o Complexo Regulador em Saúde do DF, Petrus Sanchez, “em um mês, o contrato estará vigente novamente”.

Equipe de transplantes de órgão em Brasília. — Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Equipe de transplantes de órgão em Brasília. — Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Setembro Verde

Lançada nesta segunda, a campanha Setembro Verde tem o objetivo de incentivar a doação de órgãos na capital. Atualmente, 932 pessoas aguardam na fila por um transplante no DF.

São 26 para coração, 39 para fígado, 556 de rim e 311 para córnea. Até o dia 5 de setembro, foram realizados no DF, 24 transplantes de coração, 62 de fígado, 41 de 270 de córnea e sete de pele.

“Nós temos uma grande estrutura para transplantes. Temos equipe excelente e salas preparadas, o Complexo Regulador que cuida da fila para que não haja favorecimentos e o apoio do Hemocentro. Se conseguirmos salvar uma vida, já terá valido a pena”, afirma o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

Durante a campanha, que vai até 27 de setembro, serão realizadas atividades como palestras, mostra fotográfica, talk show e apresentação musical. Confira a programação abaixo:

Palestras

  • Local: hospitais públicos e privados, operadoras de planos de saúde e instituições de ensino superior
  • Data: De 10 a 27 de setembro
  • Objetivo: estabelecer contato com o ambiente acadêmico multiprofissional para despertar nos alunos o interesse em se especializarem na área de captação e transplante de órgãos e tecidos

Mostra fotográfica

  • Local: galeria de arte do Pátio Brasil Shopping
  • Data: 23 a 27 de setembro
  • Objetivo: retratar momentos da vida de pacientes transplantados com imagens de antes e depois do transplante, mostrando o resgate da qualidade de vida

Talk show com jornalista Vinicius Sassine

  • Local: Praça Central do Pátio Brasil Shopping
  • Data: 27 de setembro
  • Horário: 18h

Show de Encerramento com Davi Ramiro

  • Local: Praça Central do Pátio Brasil Shopping
  • Data: 27 de setembro
  • Horário: 19h30

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