Após decisão judicial, vereador Zander é afastado de cargo suspeito de desvios do Parque Mutirama

Político deve ficar fora do mandato por 180 dias, mas deve continuar recebendo salário. Ele é um dos investigados pela Operação Multigrana do MP-GO.

Por Vanessa Martins, G1 GO

Vereador Zander é afastado de cargo suspeito de desvios de bilheteria do Parque Mutirama

Vereador Zander é afastado de cargo suspeito de desvios de bilheteria do Parque Mutirama

O vereador Zander Fábio (PEN) foi afastado do cargo nesta segunda-feira (4), após decisão judicial que determinava a saída imediata dele do mandato por 180 dias. O político é investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na Operação Multigrana, suspeito de participar de esquema de desvio da bilheteria do Parque Mutirama, na capital.

A assessoria de imprensa do vereador informou ao G1, por e-mail, que ele “já entrou com medida cautelar para que possa voltar a exercer seu mandato”. A nota ressalta ainda que o político “está afastado momentaneamente apenas de suas funções sem perca do mandato”.

Conforme nota divulgada pela assessoria de comunicação da Câmara de Vereadores, o órgão foi notificado da decisão do juiz Marcelo Fleury Curado Dias sobre o afastamento do vereador nesta segunda e o político “foi avisado imediatamente sobre a notificação recebida”.

A decisão determina o afastamento “sem prejuízo na remuneração do cargo”. Ainda segundo a Câmara, a procuradoria geral analisa o procedimento jurídico adequado quanto à convocação ou não do suplente, ainda sem prazo determinado.

Conforme a decisão, o juiz alega que o afastamento é necessário, pois, segundo ele, existem “fortes indícios” do uso da influência política por parte de Zander para as práticas de crimes investigados pelo MP-GO.

Vereador Zander Fábio (PEN) é afastado do cargo após decisão judicial (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) Vereador Zander Fábio (PEN) é afastado do cargo após decisão judicial (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Vereador Zander Fábio (PEN) é afastado do cargo após decisão judicial (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A decisão ocorreu depois que o Ministério Público denunciou 10 pessoas suspeitas de desviar mais de R$ 2 milhões das bilheterias dos parques Mutirama e Zoológico de Goiânia. Além de Zander Fábio, foram denunciados o ex-presidente de Agetul, Dário Paiva, e o ex-diretor financeiro do Mutirama, Geraldo Magela, apontados como chefes da organização criminosa.

Além dos três, o juiz pediu o bloqueio dos bens de outras sete pessoas suspeitas de terem se beneficiado com o esquema.

Conforme denúncia do MP-GO, o grupo fraudava os ingressos, duplicando bilhetes que já tinham sido vendidos, reutilizando tickets intactos e fazendo a declaração financeira de apenas parte do que era arrecadado nas bilheterias.

“Eles se auxiliavam de uma gráfica, que além de fazer oficialmente os ingressos do Parque Mutirama, mediante um contrato com procedimento administrativo, tinha um contato muito próximo com um dos chefes do esquema, que se fazia valer desta gráfica para fazer ingressos duplicados, falsos, por meio de pedidos para impressão de ingressos por fora. De 2014 a 2015 foram, pelo menos 19 vezes”, disse o promotor de Justiça Ramiro Carpenedo, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Bilhetes do Parque Mutirama eram feitos em duplicidade (Foto: Vanessa Martins/G1) Bilhetes do Parque Mutirama eram feitos em duplicidade (Foto: Vanessa Martins/G1)

Bilhetes do Parque Mutirama eram feitos em duplicidade (Foto: Vanessa Martins/G1)

O que dizem os citados?

O ex-diretor da Agência Goiânia de Turismo e Lazer (Agetul), Geraldo Magela, negou que tenha desviado dinheiro do Parque Mutirama, em Goiânia. Durante um depoimento na Câmara Municipal, Magela contou que entrou na agência em 2013 por indicação política do partido dele, o PT, e que durante os quatro anos em que esteve no parque, não se beneficiou do dinheiro do parque e nem favoreceu políticos.

“Eu levo uma vida simples. Não tenho dinheiro, economias que justifiquem esses desvios imputados a mim. Também não abasteci nenhuma campanha política”, afirmou.

Por telefone ao G1, o ex-presidente de Agetul, Dário Paiva, afirmou que ainda não teve conhecimento do teor da decisão e que se manifestará quando ele e sua defesa estiverem a par da situação.

Operação Multigrana

A Operação Multigrana foi deflagrada no último dia 23 de maio. Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, cinco de condução coercitiva e 12 de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. Os detidos saíram do presídio antes do fim do prazo dos mandados de prisão, segundo o MP.

Segundo o MP, a organização criminosa estava dentro da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), responsável pela administração dos parques. As investigações apontaram que o grupo atuava há pelo menos quatro gestões municipais.

Ao todo, a ação, batizada de “Multigrana”, cumpre quatro mandados de prisão temporária, cinco de condução coercitiva e 12 de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo.

A estimativa do Gaeco é que o grupo desviava cerca de R$ 60 mil por semana apenas com o dinheiro dos ingressos vendidos no Mutirama.

Segundo direção da Agetul, a operação começou após uma denúncia da própria agência, que comparou o total da bilheteria deste ano com o arrecadado em anos anteriores. Em 2017, o lucro foi de R$ 20 mil, enquanto em R$ 2016, apenas R$ 2 mil. Essa discrepância chamou a atenção do órgão, que denunciou o caso ao Ministério Público.

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