Líder chinês Xi Jinping tem nome inserido na Constituição e é elevado ao nível de Mao Tsé-Tung

Xi Jinping já é considerado o dirigente mais poderoso da China dos últimos 25 anos. Emenda foi aprovada por delegados por unanimidade.

Por G1

O presidente chinês, Xi Jinping, durante a cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters) O presidente chinês, Xi Jinping, durante a cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters)

O presidente chinês, Xi Jinping, durante a cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters)

O presidente Xi Jinping confirmou nesta terça-feira (24) o status de governante chinês mais poderoso em décadas, com a inclusão de seu nome nos estatutos do Partido Comunista da China (PCC), um símbolo que o coloca à altura do fundador do regime, Mao Tsé-Tung.

O congresso do Partido é um evento central na vida política do país, e ocorre a cada cinco anos. Entre os aspectos definidos no evento está o programa que vai estabelecer as novas políticas do governo da segunda maior economia do planeta.

“O pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para a nova era” aparece agora nos estatutos do PCC, o maior partido do mundo, e constitui um “guia de ação” para seus 89 milhões de integrantes.

Os 2.300 delegados do XIX congresso do PCC, que está em sessão desde a semana passada e nesta terça-feira organizou a eleição do novo comitê central, aprovaram por unanimidade a emenda que inclui o nome de Xi nos estatutos.

Os antecessores imediatos de Xi, Hu Jintao e Jiang Zemin, tiveram seus conceitos ideológicos incorporados à Constituição, mas não seus nomes. Além disso, a inclusão dos conceitos foi aprovada quando estes deixavam o poder, uma mostra da maior influência política que Xi Jinping acumulou.

A cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters) A cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters)

A cerimônia de encerramento do 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh) no Grande Salão do Povo, em Pequim (Foto: Jason Lee / Reuters)

Antes do anúncio, Willy Lam, professor de Política da Universidade Chinesa de Hong Kong, explicou que o status confere a Xi uma autoridade extraordinária.

“Terá um status similar ao de Grande Timoneiro, que era o de Mao”, completou Lam.

“Isto permitiria ser como Mao, líder por toda a vida, enquanto conservar a saúde”, disse o acadêmico.

O nome de Deng Xiaoping, que sucedeu Mao no poder é considerado o principal arquiteto das reformas econômicas, conduzidas na década de 1980 e que transformariam o país na segunda maior potência econômica mundial, foi incluído nos estatutos após sua morte.

 (Foto: Editoria de Arte/G1)  (Foto: Editoria de Arte/G1)

(Foto: Editoria de Arte/G1)

Rejuvenescimento

Xi presidiu a sessão de encerramento do congresso, que durou uma semana.

“Temos que trabalhar sem descanso e seguir adiante na viagem para obter um renascimento da nação chinesa”, afirmou Xi em seu discurso.

A agência oficial Xinhua informou que na quarta-feira (25) serão anunciados os membros do comitê central permanente do PCC.

Durante o congresso as autoridades mobilizaram um grande dispositivo de segurança, que incluiu o fechamento de áreas comerciais, de boates a arenas esportivas, com o objetivo de impedir qualquer incidente.

Também foram fechadas fábricas, em uma tentativa de conter a poluição

Na abertura do congresso, Xi prometeu “uma nova era” socialista para o país, traçando um panorama até 2050.

Em seu discurso, Xi apresentou a imagem da China como uma grande potência próspera e respeitada até 2050. Xi também prometeu abrir a economia e respeitar os interesses das empresas estrangeiras no país. “A abertura traz progresso para nós, enquanto o isolamento nos deixa atrasados. A China não fechará suas portas para o mundo, estaremos cada vez mais abertos”.

Esta projeção sugere que o PCC continuará aumentando o controle que exerce sobre a sociedade, o que acaba com qualquer esperança de queda na repressão aos direitos humanos.

Apesar do crescente poder de Xi Jinping, a composição do comitê central será crucial para seus planos.

Analistas esperam que Xi e o primeiro-ministro Li Keqiang permaneçam no comitê, enquanto os outros cinco membros poderiam sair da instância dirigente em consequência da regra não escrita que estabelece a idade máxima em 68 anos.

Comitê Central

Xi Jinping, e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, seguem como membros do Comitê Central do PCC, de acordo com uma lista dos membros mais destacados divulgada nesta terça pela agência oficial “Xinhua”.

O Comitê Central que governa desde 1949, formado por cerca de 200 membros e 170 suplentes, escolherá ainda entre seus membros um Politburo de cerca de 25 pessoas, das quais sete devem fazer parte do Comitê Permanente, o maior órgão do poder no PCC.

Outros membros destacados do novo Comitê Central, antecipado pela agência, são Wang Huning (assessor do presidente Xi para assuntos exteriores), Liu Qibao (chefe do Departamento de Propaganda) e o general Xu Qiliang, vice-presidente da Comissão Militar Central. Além disso, tem o vice-primeiro ministro Wang Yang, Zhang Chunxian (ex-chefe do PCCh na conflituosa região de Xinjiang), Zhao Leji (chefe do Departamento de Organização do Partido), Han Zheng (chefe do PCCh em Xangai) e Li Zhanshu (secretário pessoal de Xi).

Na lista figura apenas uma mulher, Sun Chunlan (chefe da Frente Unida, único sindicato do regime) e apenas um claro aliado da facção do ex-presidente Hu Jintao (Hu Chunhua, chefe do Partido na província de Cantão).