Dentistas denunciam que não possuem insumos para atender há cerca de um ano. Secretaria de Saúde reconhece que há dinheiro, mas burocracia dificulta a compra.

Vereadores pedem que a polícia investigue a falta de materiais odontológicos em Goiânia

Vereadores pedem que a polícia investigue a falta de materiais odontológicos em Goiânia

Vereadores que integram a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na Saúde pediram na tarde desta segunda-feira (4) que a Polícia Civil investigue a falta de insumos para atendimentos odontológicos em postos de saúde de Goiânia. Dentistas denunciaram que não possuem material para atender há cerca de um ano.

“Temos um problema grave que a sociedade está passando, o recurso do Governo Federal vem, a secretária de Saúde reconhece e deu declaração pública que era a burocracia, mas não é verdade. Há negligência, descaso, não observação da urgência do problema, é uma questão criminosa”, disse ao G1 o vereador Elias Vaz (PSB), relator da CEI da Saúde.

O pedido de abertura de inquérito foi feito na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap). Documentos apresentados pelos vereadores apontam que três licitações para a compra de insumos já foram homologadas em agosto. Assim, os produtos já deveriam estar nos consultórios odontológicos.

“O último ato da licitação modalidade pregão é a homologação e isso aconteceu em agosto, foi publicado no Diário Oficial. Chamou a atenção porque os insumos não foram entregues. É muita incompetência”, afirma Vaz.

Dentistas da rede pública ficam sem poder atender pacientes por falta de materiais (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) Dentistas da rede pública ficam sem poder atender pacientes por falta de materiais (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Dentistas da rede pública ficam sem poder atender pacientes por falta de materiais (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Titular da Dercap, o delegado André Augusto Bottesini Jorge explicou que ainda não instaurou o procedimento porque os parlamentares precisam apresentar mais documentos.

“Foi solicitado que encaminhassem maios documentos para que eu pudesse analisar a viabilidade do inquérito. Mas, pelos fatos narrados, possivelmente será instaurado. Vamos verificar o relato para verificar se houve alguma omissão, falha no processo licitatório, verificar se trouxe prejuízo financeiro à Administração ou para os usuários”, explicou o titular da Dercap, André Augusto Bottesini Jorge.

O que a SMS diz

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou nesta segunda-feira (4) que “a atual gestão retomou todos os processos para compra de insumos e materiais odontológicos que não foram finalizados pela administração anterior. Assim que a situação foi identificada, novas licitações foram abertas para compra dos produtos”.

Apesar da alegação dos vereadores de que as compras já poderiam ter sido feitas, a SMS ressalta que os processos licitatórios seguem tramitação de acordo com o que determina a lei. “A atual administração da Saúde empreende todos os esforços para solucionar a questão, no entanto, precisa fazer isso dentro da legalidade que gere o serviço público. A pasta trabalha para regularizar o fornecimento e se organiza para coibir a morosidade no andamento dos processos com definições claras dos fluxos de tramitação”, informa a nota.

 Celina Teixeira conta que extaiu os próprios dentes por sentir dor e não conseguir atendimento na rede pública  (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)  Celina Teixeira conta que extaiu os próprios dentes por sentir dor e não conseguir atendimento na rede pública  (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Celina Teixeira conta que extaiu os próprios dentes por sentir dor e não conseguir atendimento na rede pública (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Anteriormente, a secretária de Saúde, Fátima Mrue, já havia explicado que o município realmente recebeu R$ 2,1 milhões para investimentos na saúde bucal da população, mas que o maior problema enfrentado era a burocracia para comprar os insumos.

“Não é por falta de dinheiro, existe dinheiro para isso. Por que ainda não melhorou? Os processos de compras de insumos estavam parados desde meados do ano passado, então nós retomamos todos eles. Todos eles gastam algum tempo para ser concluídos”, afirmou.

Pacientes desamparados

Conforme apurou a TV Anhanguera, 370 profissionais concursados recebem salários entre R$ 4 e R$ 10 mil. Porém, eles não conseguem fazer os atendimentos necessários por falta de materiais básicos.

O dentista Sidney Santos Silva contou que cumpre o horário de trabalho, mas não consegue fazer tratamentos. “Eu não posso realmente atender uma pessoa aqui. Se a gente pegar as fichas dos pacientes que chegam aqui, 90% querem é tratamento básico: cuidar de uma cárie, fazer canal, mas não tem”, esclareceu.

Segundo apuração da TV Anhanguera, um posto de saúde da capital com oito dentistas tem cerca de 300 pessoas aguardando na fila de espera há cerca de um ano. Muitos pacientes relatam que sofrem com a falta dos atendimentos. A dona de casa Celina Lopes Teixeira contou ter arrancado os próprios dentes por não conseguir tratamento adequado.

“Como estava sentindo dor, eu sabia que iria chegar lá [ao posto de saúde] e não seria atendida. Por isso eu já fui e arranquei. [Queria] arrumar meus dentes e sorrir de novo”, disse a paciente.

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