Construtora libera uso da garagem de prédio em construção para aliviar trânsito em Goiânia

Empresa inverteu a ordem tradicional e concluiu o estacionamento no início da obra; prefeitura estuda como expandir o projeto para outras construções.

Por Paula Resende, G1 GO

Estacionamento de obra é liberado para funcionários, prestadores de serviço, clientes e corretores (Foto: Paula Resende/ G1) Estacionamento de obra é liberado para funcionários, prestadores de serviço, clientes e corretores (Foto: Paula Resende/ G1)

Estacionamento de obra é liberado para funcionários, prestadores de serviço, clientes e corretores (Foto: Paula Resende/ G1)

Motoristas enfrentam, frequentemente, uma saga para encontrar uma vaga para estacionar em bairros com grande concentração de comércio e escolas, em Goiânia. Ao inverter a ordem de construção tradicional, uma construtora concluiu a garagem no início da obra e liberou para clientes, funcionários, prestadores de serviço e até moradores da região estacionarem. A prefeitura da capital estuda como expandir o projeto para outras empresas.

Encarregado de instalações da Dinâmica Engenharia, Osvaldo Silva, de 54 anos, conta que no início da obra, quando o estacionamento ainda não estava pronto, tinha que acordar 40 minutos mais cedo para garantir uma vaga em frente ao canteiro, no Setor Marista. Além disso, ia de moto por ser mais fácil de achar local para parar e pelo receio de ter o automóvel

“Eu moro no Parque Ateneu, são 13 quilômetros até aqui, eu entrava 6h30, mas chegava umas 5h50 para garantir uma vaga boa. Agora, saio de casa às 6h10”, relata o funcionário.

Osvaldo Silva tinha de acordar 40 minutos mais cedo quando precisava procurar vaga  (Foto: Paula Resende/ G1) Osvaldo Silva tinha de acordar 40 minutos mais cedo quando precisava procurar vaga  (Foto: Paula Resende/ G1)

Osvaldo Silva tinha de acordar 40 minutos mais cedo quando precisava procurar vaga (Foto: Paula Resende/ G1)

O corretor de imóveis Leandro Batista, de 32 anos, calcula que perde, pelo menos, 1h30 por dia em busca de estacionamento para se encontrar com clientes nos empreendimentos. Para o profissional, ter uma garagem disponível intensifica até mesmo as visitas.

“É fantástico, não precisa ficar rodando atrás de uma vaga e ninguém atrasa. Valoriza tanto o cliente quanto o corretor”, avalia.

A garagem do prédio abriga até 100 motos e carros por dia. Engenheiro responsável pela obra, Marco Antônio Soares de Carvalho, de 34 anos, afirma que não há risco para os carros, pois o espaço é isolado quando há chance de queda de algum material.

O profissional afirma que abrir o estacionamento ajudou a desafogar o trânsito na região. “São muitos veículos que a obra atrai. Mesmo com todos os funcionários estacionando dentro na garagem, a rua já fica lotada. Ao tirar esses veículos da rua, não prejudicamos pais que deixam os filhos nas escolas e o espaço de moradores”, avalia.

Corretor de imóveis Leandro Batista avalia que liberar o estacionamento na obra é bem visto por clientes  (Foto: Paula Resende/ G1) Corretor de imóveis Leandro Batista avalia que liberar o estacionamento na obra é bem visto por clientes  (Foto: Paula Resende/ G1)

Corretor de imóveis Leandro Batista avalia que liberar o estacionamento na obra é bem visto por clientes (Foto: Paula Resende/ G1)

Adaptações na obra

Para que o estacionamento ficasse pronto no início da obra, a empresa mudou a ordem tradicional de construção. Geralmente, a prioridade é construir os pavimentos, ou seja, subir a torre e, depois, finalizar o subsolo, garagens e piscina. Porém, eles fizeram o inverso e obtiveram até redução nos gastos.

“Fazendo antes, a gente acompanha se tem vazamento ou a necessidade de algum reparo, que é natural. O objetivo é reduzir a menos de 1% o custo de manutenção pós-obra, que, normalmente, vai de 2% a 3% do valor total”, explica Carvalho.

Além de reduzir os gastos de manutenção, o engenheiro crê que a alteração da ordem construtiva pode antecipar, em até dois meses, a conclusão da obra. “A equipe termina a fundação e já executa o subsolo, não sai do local e está empolgada em subir a torre. Se termina a estrutura da torre e desce, notamos queda na produtividade, muitos já querem mudar de obra”, analisa o profissional.

Engenheiro Marco Antônio de Carvalho explica que áreas da garagem são isoladas quando há risco de dano aos veículos (Foto: Paula Resende/ G1) Engenheiro Marco Antônio de Carvalho explica que áreas da garagem são isoladas quando há risco de dano aos veículos (Foto: Paula Resende/ G1)

Engenheiro Marco Antônio de Carvalho explica que áreas da garagem são isoladas quando há risco de dano aos veículos (Foto: Paula Resende/ G1)

Expansão do projeto

A Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) estuda, junto com outras pastas, uma forma de incentivar outras empresas a adotarem o mesmo sistema. O objetivo é reduzir o impacto no trânsito nas proximidades de obras.

“Estamos num momento de retomada da economia, a construção civil está se reorganizando, há previsão de lançamentos de prédios e as obras geram complicações no trânsito. Cada obra tem, no mínimo 100 funcionários e movimenta até 300 carros, todos ficam estacionados na porta”, aponta o secretário Fernando Santana.

Sem vaga para parar, caminhoneiro bloqueia pista da rua e deixa tráfego ainda mais tumultuado em frente à obra (Foto: Paula Resende/ G1) Sem vaga para parar, caminhoneiro bloqueia pista da rua e deixa tráfego ainda mais tumultuado em frente à obra (Foto: Paula Resende/ G1)

Sem vaga para parar, caminhoneiro bloqueia pista da rua e deixa tráfego ainda mais tumultuado em frente à obra (Foto: Paula Resende/ G1)

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