Cem dias do governo Zema: Corte de elevador privativo, cafezinho com deputados e intenção de ir a cidades impactadas por barragens

Por Thais Pimentel e Aline Aguiar, G1 Minas e TV Globo — Belo Horizonte

“Muito provavelmente nós fizemos mais do que nos quatro anos anteriores”, disse o governador Romeu Zema (Novo), apesar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) não ter aprovado nenhum projeto do executivo até agora.

Na quinta-feira (4), Ele recebeu o G1 e a TV Globo na Cidade Administrativa para falar dos 100 primeiros dias de mandato que serão completados nesta semana.

Veja abaixo alguns dos assuntos abordados:

Zema durante cerimônia na Cidade Administrativa — Foto: Reprodução

Zema durante cerimônia na Cidade Administrativa — Foto: Reprodução

Reforma administrativa

Um dos principais desafios do governador é aprovar a reforma administrativa, enviada para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no dia 5 de fevereiro. A proposta prevê a redução de 21 para 12 o número de secretarias. O texto também aponta que 60% dos 6 mil cargos comissionados deixarão de existir se o projeto for aprovado. Essa medida, aliada à diminuição das secretarias, geraria uma economia R$ 1 bilhão nos próximos quatro anos, durante o mandato de Zema.

Porém, o texto vem encontrando dificuldades para tramitar, já que os deputados têm reclamado da falta de articulação por parte do governo do estado. Porém, Zema afirmou que o relacionamento com a ALMG tem sido a melhor possível.

“Já tomei café aqui com todos os deputados das diversas bancadas. Todos têm conversado conosco aqui. Mas nós temos que lembrar, (…) até você criar uma articulação, você conhecer melhor as propostas, leva-se tempo, haja visto aí a situação do governo federal com o Congresso”, disse o governador. “Tenho visto a maior boa vontade deles (deputados) para com essa questão da crise do estado e tenho certeza que eles estão se inteirando e vão compreender plenamente o que Minas Gerais precisa fazer”, completou.

A previsão é que a reforma administrativa seja votada ainda este mês, em caráter de urgência.

Privatizações

O governador voltou a demonstrar interesse em privatizar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Uma lei estadual impede que estas empresas sejam negociadas, porém, o governo pretende enviar à ALMG uma proposta para que o texto seja revogado.

“Eu não vejo necessidade de um estado que está falido ter ainda se preocupar com gestão de empresas”, disse Zema.

Já as subsidiárias da Cemig devem ser vendidas em breve. “Devemos estar lançando nos próximos meses. Eu não vou precisar data a privatização das subsidiárias da Cemig, que nesse caso o Executivo tem liberdade para poder levar adiante”, falou o governador.

No dia 3 de abril, o diretor de Gestão de Participações da Cemig, Daniel Faria Costa, disse que a empresa retomou de forma acelerada planos de vender sua participação na controlada Light, com planos de anunciar algum negócio ainda no primeiro semestre.

A Light chegou a assinar no ano passado memorando de entendimento para a realização de uma oferta pública de papéis da companhia que seria ancorada por fundos liderados pela GP Investimentos, mas o negócio foi posteriormente cancelado por desentendimentos sobre preços a serem praticados na transação.

Lama da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte — Foto: Ibama/Divulgação

Lama da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte — Foto: Ibama/Divulgação

Barragens

Perguntado porque não visitou as cidades de Itatiaiuçu, Barão de Cocais, Nova Lima, Ouro Preto, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, que sofrem com o estado iminente de rompimento de barragens da Vale, o governador disse que a Defesa Civil já está presente nestes locais.

“Sou monitorado aqui de hora em hora sobre o que está acontecendo. Está ali no meu celular porque os compromissos são muitos. Gostaria até de estar presente nessas que foram mais impactadas e eu faço questão de ir para saber como está”, disse Zema.

Sobre Brumadinho, o governador chegou a falar que foi um acidente o que aconteceu na cidade, mas disse que se confundiu com o vocabulário. “Eu percebo que eu estou tendo de me precaver mais porque no dia a dia, né? (…) Então, eu considero Brumadinho realmente uma tragédia humana, mais do que ambiental até”, falou

Secretariado

Na campanha, Zema havia prometido preencher as secretarias com técnicos que passariam por uma seleção. Porém, o ex-prefeito de Juiz de Fora, na Região da Zona da Mata, e ex-secretário de Desenvolvimento Social durante governo do hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB), o tucano Custódio de Mattos, assumiu a Secretaria de Governo.

Além dele, Germano Luiz Gomes Vieira, que foi secretário do Meio Ambiente no governo Pimentel (PT), assumiu a mesma pasta nesta gestão. Para o governador, não houve mudança na postura.

“Eu te diria que está totalmente dentro do que nós fizemos. Eu fiquei o mês de novembro e dezembro junto com João Amoedo (presidente nacional do partido Novo) e várias pessoas que dirigem o partido Novo, entrevistando junto com consultoria de recursos humanos, potenciais candidatos para secretarias. Até com políticos. Chegamos à conclusão que para ocupar um cargo político melhor é ser um político e não técnico, o que é normal. Se é para nadar vamos atrás de peixe, não atrás de pássaros, não é isso? E para ocupar a pasta do Meio Ambiente chegamos à conclusão também que o Germano era o mais capacitado, sem desconsiderar os demais, mas foram escolhas técnicas. Escolha técnica para um cargo político, daí talvez a estranheza”, disse.

Avaliação

Avião que pertencia à frota do governo de MG foi vendido em março — Foto: Comissão Permanente de Alienação da Seplag/Divulgação

Avião que pertencia à frota do governo de MG foi vendido em março — Foto: Comissão Permanente de Alienação da Seplag/Divulgação

“Nós temos centenas de ações, pequenas, de redução das despesas com pessoal. Isso vai continuar não sei quantos meses. Já vendemos mais de 2 mil carros que estavam esquecidos dentro do governo. A questão do Diário Oficial que era impresso em papel jornal, agora ele é só digital”, disse Zema ao citar ações de cortes de gastos.

Um ato considerado simbólico pelo governador é a venda do Avião LearJet modelo 35A, marca PT-LGW, que pertencia a frota do estado, por R$ 2.226.710. Zema ainda pretende se desfazer de outra aeronave como medida para reduzir as despesas no estado.

A primeira ação como governador foi a exoneração de cerca de seis mil servidores comissionados. Semanas depois, muitos deles foram reconduzidos aos cargos. Para Zema, a extinção inicial teria sido provocada por falta de informação. Ele disse que não teve acesso a todas as informações referentes ao funcionalismo, o que teria provocado a confusão no primeiro mês de governo.

“Nós exoneramos seis mil porque não tivemos acesso a dados pela gestão anterior. Nós poderíamos ter feito isso de forma planejada. Quando fizemos, já sabíamos que parte teria que voltar ao cargo porque não dá para ficar sem uma superintendente regional da educação que assina documentos, férias. Então, vários cargos de confiança foram reconduzidos por esse motivo”, disse Zema.

Governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tomou posse no dia 1º de janeiro deste ano — Foto: Reprodução/TV Globo

Governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tomou posse no dia 1º de janeiro deste ano — Foto: Reprodução/TV Globo

Porém, segundo ele, até este mês de abril, mais de 10 mil cargos já foram extintos. A previsão é que mais servidores sejam exonerados em seu mandato. “Vai continuar sendo ampliado porque nós estamos agora colocando no terceiro escalão pessoas que foram selecionadas e elas com certeza vão detectar alguns excessos que serão vistos futuramente”, falou.

Ele falou ainda que passou a não usar o elevador privativo do Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa, como forma de economia. Além disso, o governador optou por não morar no Palácio das Mangabeiras, residência oficial.

“Vejo que o mais simbólico de tudo foi que eu estou morando na minha casa. O governo anterior tinha 32 empregados na casa dele. Eu tenho uma diarista que vai duas vezes por semana, que eu pago. Eu moro próximo da Lagoa da Pampulha, ali no bairro Bandeirantes. Pago meu aluguel. Nenhuma despesa para o estado”, contou.

Perguntado se chegou a se arrepender de ter se candidato ao governo do estado, Romeu Zema disse que tem achado o trabalho mais simples do que gerir seus negócios.

“Pra que vem do setor privado aqui é mais fácil. (…) O estado é muito grande, ele tem muitos recursos. Na minha empresa eu precisava fazer o trabalho do secretário de Fazenda, de Governo. Aqui está muito estruturado”, disse ele. “Tenho dormido melhor do que quando era empresário”, completou.

Empresas

Fundado em 1923, em Araxá, em Minas Gerais, o Grupo Zema é um dos maiores conglomerados empresariais do país. Presente em dez estados brasileiros e com cerca de 5,3 mil colaboradores, atua em diferentes segmentos, com destaque para lojas de varejo, com móveis, eletrodomésticos e vestuários, concessionárias de veículos e serviços financeiros.