Advogados recorrem ao STF contra decisão que permitiu posse de Cristiane Brasil

m grupo de advogados ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um recurso contra decisão que permitiu a posse da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Ministério do Trabalho. A posse está prevista para as 9h desta segunda-feira (22), no Palácio do Planalto. Os advogados, porém, tentam impedir a cerimônia.

Inicialmente, o sistema eletrônico do tribunal, por sorteio, definiu que o relator do caso seria o ministro Gilmar Mendes. Depois, a Secretaria Judiciária do Supremo informou, em um ofício incluído neste domingo (21) na tramitação do processo, que o caso deveria ter ido diretamente para a presidente do STF, Cármen Lúcia, sem a realização de sorteio. Com isso, a Secretaria voltou atrás no sorteio, e a ministra será responsável por analisar o recurso.

De acordo com a Secretaria Judiciária, o motivo para Cármen ser a relatora do caso é que o tipo de reclamação apresentada pelos advogados deve ser analisado pelo presidente da Corte.

O grupo de advogados que moveu a ação no Supremo é o mesmo que conseguiu suspender a posse da deputada na Justiça Federal, alegando que a nomeação contraria o princípio da moralidade, determinado pela Constituição, por causa de condenações que ela sofreu na Justiça Trabalhista.

Depois de seguidas derrotas no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), o governo conseguiu reverter neste sábado (20) a suspensão da posse no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao deferir o pedido do governo e autorizar a posse, o ministro Humberto Martins, vice-presidente do STJ, entendeu que condenações em processos trabalhistas não impedem a deputada de assumir o cargo. Ele destacou que não há nenhuma previsão na lei com essa determinação.

“Ocorre que em nosso ordenamento jurídico inexiste norma que vede a nomeação de qualquer cidadão para exercer o cargo de ministro do Trabalho em razão de ter sofrido condenação trabalhista. O fumus boni iuris acerca da questão é evidente”, afirmou o ministro na decisão.